terça-feira, 28 de maio de 2013

Desenvolvimento e modelagem: “uma área de risco”

Quem só compra moda nem imagina a complexidade que envolve o desenvolvimento e a modelagem de novos produtos de moda. Para criar coleções, saber desenhar não é o suficiente: o designer industrial necessita de capacidade para pesquisar, organizar, inovar, além de talento para combinar formas, texturas, cores, técnicas e tecnologias disponíveis para o desenvolvimento de produtos destinando-os a um público determinado, devendo então se preocupar com as necessidades sociais, ambientais, culturais, mercadológicas, tecnológicas e econômicas. Ao desenvolver uma coleção, o designer precisa do mix de produtos, nome que se dá à variedade de produtos oferecidos por uma empresa. Após ter esse parâmetro em mãos, começa definindo um tema e se alimentando de referências para a criação por meio de pesquisas e coleta de dados, formando um painel de inspiração que serve tanto para a colagem de ideias e referências do projeto como também para amostras de tecidos e aviamentos, cores e possíveis elementos que possam ser peças-chave para a coleção. A partir disso, o designer pode começar a fazer seus primeiros esboços, até concretizá-los em seus croquis finais e seus desenhos técnicos, à mão livre ou por meio de software de computador, com o objetivo de comunicar suas ideias aos outros setores. O mesmo deve ser acompanhado por uma ficha técnica composta das informações necessárias para a modelagem e a pilotagem executarem seus trabalhos sem dúvidas e sem erros, podendo anexar fotos como forma de facilitar a visibilidade de formas, volumes e caimento. O modelista, por sua vez, deve fazer a interpretação do desenho ou foto transpondo a ideia do papel para uma forma palpável por meio do desenvolvimento de moldes seguindo fielmente as informações contidas na ficha técnica, por isso a importância do detalhamento e das proporções relacionadas de forma minuciosa no momento de transferência de ideias do designer. É preciso que esse profissional se mantenha sempre antenado com as tendências , tenha um conhecimento sobre todo o processo de produção, entendendo que seu trabalho está diretamente ligado a outros setores e devendo também se aperfeiçoar continuamente para conseguir atender um mercado cada vez mais veloz e exigente. Dependendo do mercado em que atua, deve ainda estar preparado para novos desafios, como modelagem de tamanhos especiais ou para portadores de necessidades especiais, entre outros. Além disso, o modelista possui responsabilidades visando a forma estética, funcionabilidade, conforto, produtividade, qualidade e aproveitamento de matéria-prima. Na indústria de confecção de moda, encontramos a modelagem plana manual, a modelagem plana computadorizada (CAD/CAM– computer aided design/computer aided manufactuting) e a modelagem tridimensional (draping ou moulage). A modelagem plana manual ou computadorizada é o resultado da técnica de traçar retas e curvas em traçados planos retangulares, em que o plano cartesiano orienta as linhas horizontais e verticais provenientes das medidas preconcebidas a partir do estudo anatômico do corpo humano. As duas técnicas diferem na ferramenta utilizada para o desenvolvimento, que pode ser o papel ou o computador. Esta última vem sendo mais utilizada, pois representa o conceito de modernização e otimização tecnológica, gerando mais lucratividade na produção. Já no draping, o molde é feito com tecido ou papel sobre o manequim ou na pessoa que vai vestir a roupa ou servir de modelo de prova. Após o desenvolvimento do molde, a peça é cortada no tecido descrito pelo designer na ficha técnica, o qual vai para o setor de pilotagem. O protótipo ou peça piloto é confeccionado por uma costureira polivalente, chamada pilotista, que tem o papel de apontar os defeitos da modelagem que possam comprometer a execução do modelo, alertar para o comportamento do tecido na máquina de costura e propor alterações que tornem a produção mais fácil. Ainda cabe ao modelista acompanhar a prova da peça piloto para marcar e corrigir devidamente os defeitos encontrados identificando a origem deles, que podem ser provocados por vários motivos, além de ampliar e reduzir, criando a grade completa sem deformar o molde. Falhas nesses processos ou a falta dos mesmos podem implicar grandes erros e com isso prejuízos irreparáveis na produção, gerando consequências graves para empresa e seus clientes. Artigo Publicado na Revista Costura Perfeita por Grazieli Pires em 17/05/2013 Grazieli Pires de Almeida é modelista, graduada em tecnologia em gestão de moda e estilo pela Universidade Paranaense (Unipar), de Cianorte; pós-graduada em didática e metodologia do ensino superior pelas Faculdades Integradas do Vale do Ivaí (Esap); atualmente cursando MBA em design de moda; e técnica de ensino no Senai. grazy_pires@hotmail.com

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